A classe clama e está
sedenta por mudanças efetivas, e essas mudanças na classe estão rodeadas de
desafios, entre elas a sua própria administração. A repetição obsessiva de não
ouvir a opinião dos agentes penitenciários pela carência e atraso na maneira de
gerir o sistema credencia o estado de insatisfação. É preciso descortinar o
sistema e abrir espaço para que a classe possa questionar o seu papel quanto ao
desenvolvimento de suas atividades com o objetivo de estabelecer as fragilidades
e procurar encontrar uma resposta satisfatória aos seus anseios.
Os desafios e a
problemática estão postos à mesa. Como se encontra a carreira de agente
penitenciário, e de que forma procura responder aos desafios que lhe são
submetidos. Procurar identificar
algumas das questões emergentes sobre tema e apontar algumas pistas sobre a
ótica da classe no que diz respeito à administração do sistema a qual está
inserido.
O texto não esgota o
tema nem tem a pretensão de fazê-lo, mas objetiva aguçar o debate com reflexões
que possam contribuir para uma nova cultura e política administrativa e
funcional. O trabalho no sistema prisional está em permanente construção, pois
a história mostra que não há verdade completa e acabada. A cada instante as
coisas se reinventam é necessário estar atento para não sucumbir no vazio
deixado pelo passado. Neste sentido, é preciso avançar, para não apenas
reproduzir aquilo que já está demonstrado, mas apresentar algo a mais,
revelador de melhor qualidade e participação democrática no sistema. Uma das
tarefas principais é a identificação dos pontos mais frágeis que impedem ou
podem ser considerados obstáculos ao pleno desempenho da função, da
administração e dos materiais empregados para exercê-la, com a finalidade de apresentação
de propostas viáveis (curto, médio e longo prazo), pautadas nas experiências já
testadas e nas possibilidades futuras.
É necessário superar
todos os empecilhos que atrapalham a integração e o bom relacionamento entre
administração, órgãos e agentes deste sistema. E mais, é necessário estabelecer
laços de confiança e cooperação visando à realização conjunta das tarefas do
sistema. Destacar ainda, para a uma atenção redobrada as complexidades e
dimensões sociais e humanas e a realidade ativa daqueles que diretamente lidam
com os sentenciados. É imprescindível acertar os ponteiros do relógio da
administração do sistema prisional mineiro com os ponteiros do relógio da
classe de agentes penitenciários, para evitar a derrocada do sistema e
proliferação de conclusões irônicas de que se estão insatisfeitos que procurem
seus direitos. A substituição de formas
autoritárias e arbitrárias de poder pelas formas compartilhadas de poder
emanadas de baixo para cima e não impostas de cima para baixo.
A democratização da
administração do sistema é uma dimensão fundamental da democratização da vida
social, econômica, cultural e política dos que nele trabalham. A democratização
deve procurar criar um cenário favorável à leveza, visibilidade,
comunicabilidade, rapidez, exatidão, consistência no tratado das resoluções dos
conflitos. O sistema deveria apostar na transparência avaliação e na prestação
de contas das atividades administrativas, para que os demais cumpram com
exatidão a confiança depositada pelas pessoas nos meios de resolução dos
conflitos.

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